ECONOMIA FISCAL E INOVAÇÃO

Aqui no blog você se informa sobre tudo o que compete ao universo fiscal: alterações legislativas e normativas, obrigações acessórias, regimes especiais, jurisprudência, e muito mais.

6 áreas onde sua empresa inova e não vê

No Brasil, a maioria das indústrias não se percebem como inovadoras e quando o fazem, muitas vezes enxergam apenas a inovação de um setor específico, como um setor de PD&I estruturado ou setor de produtos. Contudo, é possível, e até mesmo desejável, que se identifique toda iniciativa de cunho inovador que permeia os diversos setores das empresas. Seguem 6 departamentos que estão rotineiramente envolvidos em projetos pautados por pesquisa e desenvolvimento, cujos frutos definem a capacidade competitiva de uma empresa e são costumeiramente negligenciados como parte da cadeia de inovação:

1 – Na área comercial:

Benchmarking, pesquisas de comportamento do consumidor, tendências e volatilidade do mercado. A ponta inicial da cadeia de inovação está nas ideias e conceitos, bem como na seleção delas de acordo com sua viabilidade. Logo, uma empresa com uma forte cultura de inovação leva em conta a participação dos profissionais que estão frente a frente com seus clientes.

2- No setor de processos:

Criação, adaptação e melhoria contínua de processos são bastante comuns em qualquer indústria e são por si só iniciativas de pesquisa e desenvolvimento por envolver coleta e análise de dados bem como experimentação a x b. O resultado é que ao longo do tempo a empresa adquire um arcabouço de conhecimento que a permite otimizações significativas na eficiência ao seu próprio jeito, ocasionando menores custos e também ganhos na sustentabilidade, uma vez que se investe menos água e energia.

3- Na área do TI:

Integração dos processos, meios para se entender melhoria contínua, meios para venda e expansão de mercado, controle de estoque, suprimentos e de entregas. Todas essas melhorias só são possíveis hoje por meio de softwares e quanto mais adaptados a realidade de cada empresa, mais eficientes eles serão. Esse processo de customização e modernização contínua envolve estudo de alternativas, experimentação e riscos, o que deixa claro seu conteúdo inovador.

4- No setor de qualidade:

Para melhorar a qualidade de um produto, ou garanti-la frente a um aumento na escala de produção, as empresas devem ser rigorosas em seus testes de qualidade. A busca e implementação de novos testes, bem como o aprimoramento dos testes existentes e definição de protocolos específicos integra a cadeia de inovação em uma das etapas finais da cadeia de inovação e é crucial para que qualquer iniciativa possa ser bem sucedida.

5- Com o Meio Ambiente:

Muitas vezes a adaptação de processos ou a produção de novos produtos esbarra em aspectos ambientais e as empresas devem desenvolver meios para contornar essa barreira, tornando seus processos sustentáveis. Assim é evitado tanto um passivo ambiental quanto é possível se posicionar no mercado como uma marca com responsabilidade ambiental.

6- Na área de Marketing:

As inovações em Marketing recebem uma atenção específica nas últimas edições do Manual de Oslo e de Frascatti. Por vezes o marketing está associado ao departamento comercial da empresa, contudo em uma cadeia de inovação o elo da cadeia ocupado pelo marketing está no extremo oposto do comercial. O comercial pode ser bastante atuante no início da cadeia, na geração, avaliação e seleção de ideias a serem encaminhadas aos setores de desenvolvimento. Já o marketing tem especial importância após todos os passos de pesquisa e desenvolvimento de um produto em si. O elo final dessa cadeia de inovação é desenvolver meios para que o produto, já pronto, seja inserido no mercado. Logo, a inovação em marketing muitas vezes é crucial.

O que acontece quando as empresas não compreendem em profundidade suas próprias iniciativas inovadoras?

A resposta é simples: perda de eficiência e competitividade.

Uma compreensão acurada de como a inovação está presente em todos setores da empresa permite uma maior organização desse processo, reduzindo riscos e magnificando resultados. Além disso, ao deixar de enxergar parte de sua própria iniciativa inovadora uma empresa perde possibilidades de retorno financeiro sobre os dispêndios efetuados em uma série de projetos. Tal retorno se daria por meio de incentivos fiscais específicos como a Lei do Bem, que garante uma recuperação de até 27% do valor investido.

Mapear toda atividade inovadora de uma empresa, não se trata de algo trivial. Compreender linhas de desenvolvimento e conteúdo inovador exige a compreensão de uma série de conceitos complexos que definem o que é inovação, seus níveis e suas etapas. Tal tarefa é plausível se realizada por profissionais qualificados em um corpo técnico multidisciplinar.

Embora seja algo factível de se fazer internamente, o nível das demandas e a necessidade de especialização no tema fazem que a busca pelos subsídios disponíveis à inovação, em especial a Lei do Bem (Lei 11.196) seja mais produtiva se assessorada por uma consultoria especializada. Escritórios contábeis e de advocacia tem oferecido serviços para implementação da Lei do Bem, contudo não se trata de uma matéria puramente contábil, tão pouco jurídica, mas sim científica, contábil e tributária. Se um consultor na área não sabe debater com você quais são os níveis de inovação e as etapas da cadeia de inovação, ele certamente está deixando de lado uma série de projetos por não compreender onde sua empresa está inovando e não sabe. Dessa forma, perde-se não apenas o subsídio, mas um olhar clínico sobre a organização da demanda crucial de inovar, implicando diretamente sobre os limites que a empresa pode superar.

Autor: Rodrigo Moro