ECONOMIA FISCAL E INOVAÇÃO

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O futuro das empresas brasileiras do ramo de logística estaria em seu potencial para se desenvolver e inovar?

Cada vez mais empresas brasileiras do ramo de logística têm recebido o benefício da Lei do Bem, entenda por que a modernização nesse setor é estratégico para o Brasil.

Como consultor em incentivos a PD&I pela GT, estou constantemente em contato com o ambiente de inovação em diversos setores do mercado. Um deles em especial me chamou a atenção por estar passando por um momento de plena desestruturação de paradigmas. O setor em questão é o de logística e cadeia de suprimentos.

A partir desse ramo de atividades foi que surgiu a gigante Amazon, que é hoje um dos maiores expoentes em inovação no mundo. O sucesso obtido pela empresa em suas empreitadas inovadoras impulsionou uma série de outras empresas do mesmo ramo a buscar iniciativas que lhes permitissem um aumento na eficiência, o ponto fundamental para o sucesso de suas operações. Aí é que entra a desestruturação de paradigmas que mencionei anteriormente.

No Brasil

Em minhas incursões pelas empresas de logística do sul do Brasil percebi uma divisão muito clara entre aquelas que já buscam se posicionar de acordo com as tendências de modernização lançadas mundo afora, e aquelas que ainda se encontram paralisadas dentro de uma abordagem mais tradicional. Para as empresas mais tradicionais, o setor de logística não apresenta margem para inovação, dada a ausência do desenvolvimento de produtos próprios e uma aparente simplicidade do negócio no que tange as suas demandas em tecnologia.

Já as empresas do ramo que pensam de forma mais moderna encaram as operações de logística como algo complexo, e então, tentam se posicionar à frente no mercado, tomando o caminho da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação para otimizar os seus processos,. Esse é o caso da KFG, distribuidora de produtos de alimentação saudável de Tubarão, Santa Catarina, que se compromete a realizar entregas em todo o sul do país dentro de 24 horas. Para atingir esse ambicioso objetivo, a KFG tem investido no desenvolvimento interno de softwares e processos adequados às necessidades e particularidades de suas operações.

Investimentos em internet das coisas, telemetria, rastreamento, automação e robótica têm causado um grande impacto positivo nas empresas de logística que buscaram o caminho da inovação. Contudo, inovação sempre envolve investimento e risco, e para que tais investimentos sejam mais eficientes e os riscos sejam menores, cabe à empresa saber gerir corretamente sua iniciativa inovadora.

Como começar

O primeiro passo a ser dado nesse sentido é reconhecer quais dos projetos desenvolvidos na empresa já podiam ser encarados como inovadores, mas não eram vistos dessa forma por falta de uma análise conceitual mais minuciosa. A partir daí é que se permite o segundo passo, que é a viabilização econômica da iniciativa inovadora. Explico. Compreendendo o que a empresa já está desenvolvendo, é possível buscar mecanismos de subsídio próprios para os projetos aderentes aos conceitos técnicos que definem o que pode ser considerado parte de uma iniciativa inovadora, logo, “incentivável”. Uma vez obtidos os incentivos à inovação, a empresa tem maior margem para planejar suas próximas iniciativas, as quais são beneficiadas, entre outras coisas, pela organização dos registros dos projetos de PD&I.

Como era de se esperar, quando o contexto são os subsídios à inovação não se pode deixar de mencionar a Lei do Bem. Nesse caso, é importante ressaltar que a Lei do Bem não incentiva apenas a inovação em produtos, mas também em processos. Isso é fundamental para que as empresas de logística e da cadeia de suprimentos consigam usufruir do benefício previsto na Lei e facilitar o início de um caminho que acabou por se tornar sem retorno para as empresas do ramo: o caminho da tecnologia e da inovação.

Logística e Lei do Bem

Aproveito para chamar a atenção para o quanto as empresas de logística podem ser justamente aquelas que demonstram a importância do incentivo da Lei do Bem para o desenvolvimento do país. Tem-se demonstrado que a modernização da cadeia de suprimentos é um dos elementos essenciais na redução do desperdício de toda sorte de mercadorias, em especial alimentos. Logo, ao tornar os processos logísticos mais eficientes, se reduz significativamente o desperdício em todas as etapas de uma cadeia de consumo. Reduzir o desperdício tem implicação direta sobre a demanda de recursos naturais, e é exatamente por isso que a modernização das empresas do ramo logístico tem assumido um papel fundamental na busca pela utilização sustentável desses recursos. 

Para se ter uma ideia, estima-se que 40% dos alimentos produzidos na América do Norte são desperdiçados ao longo da cadeia logística. Na Europa, estimou-se que em 2015 cerca de 60 bilhões de euros foram perdidos com o desperdício de alimentos durante o transporte entre o produtor e o consumidor. Não é de se estranhar que, além de ser importante para a sustentabilidade, uma cadeia logística moderna pode ser essencial para a competitividade da indústria de um país. Dessa forma, justifica-se que a maior empresa de logística e suprimentos do mundo seja também uma das mais inovadoras.

Autor: Rodrigo Moro